Minha alma é um ser em si de escuro vento
Iluminada por meu sangue escuro
Minha alma é um céu de vale seco impuro
Adúltera sem pai nem testamento.
Sou vil buraco em que meu ser não cabe
Onde me tapo com meu ser de cuspo
Me cubro de lençóis em véu molusco
Sou trapo do meu ser e ninguém sabe.
Engulo hoje e sempre um céu sem Ser
Parado numa fonte má de Igreja
Sonhando hoje só com a própria urina.
Eu amo esta doença de viver
Vivendo na alma podre em cada esquina
Servindo os braços tristes na bandeja.
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