Eu canto na alma morta que inexiste
Insatisfeito, sujo e sem consolo
Existe apenas vinho em desconsolo
Que o próprio corpo acha que ainda existe.
Eu saio em desespero sempre em nada
Contando meu clamor em marca-passo
As horas dentro em mim são um compasso
Estendidas sem dó na minha cara.
Eu cuspo pelos cantos sem saber
Se o cuspo voltará com alguma nova
Ou fugirá de mim no próprio dedo.
Eu vivo sem nenhum amanhecer
E moro numa casa agora cova
Que eu decoro toda pelo medo.
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