quinta-feira, 18 de setembro de 2008

UM DIA EXISTI...


Num campo vasto de centeio nobre
existem homens que correm
e suas túnicas batem no Ceu.


Existem árvores que passeiam
por dentro da calmaria.


E eu descobri que não possuo
uma alma qualquer, quanto mais
alma.


Num campo-pasto de casebre pobre
existe a minha vida que corre
como violões que descem um mesmo
córrego, de um mesmo rio.


Num vasto canto, um dia
eu existi.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

FRASE.

Nunca julgue um livro pelo filme.
J. W. Eagan

O ÚLTIMO PIGARRO

Eu peço a Deus um último pigarro
Que possa abafar minha esperança
Eu parto quase sempre da lembrança
De ter sido meu único cigarro.


Disfarço sempre um mal qualquer que seja
E como em mesmo prato sempre puro
Ter sido como arroto sempre duro
Foi como esquartejar-me numa igreja.


Encontro sempre um caos por onde andar
Julgado pelo tempo esfarelado
Na dura incidência de ser corpo.


Eu tenho sempre um caco pra pensar
E um juízo mal e ainda porco
Na porta de um leproso só de um lado.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

VENTRE VIVO


A mãe que me matou é a que mereço
Aquela que caminha nos meus ossos
Brindando um amanhã com meus destroços
É nessa mãe que eu sonho e me pareço.


O ventre de onde vim é um ventre vivo
Um túmulo sem marca nem passado
Eu quis me assentar e estou deitado
Deitado num luar de mim nocivo.


Pareço com alguém: nenhuma marca
Que atire sempre em mim: semente antiga
Que ouça meus invernos ao passarem.


Blasfemo sempre numa lua parca
Ausente de si mesma: mão amiga
Carente dos ouvidos a chorarem.