O fundo do meu ser é rico e seco
De verbos fraturados e ossaturas
De versos carregados de lonjuras
Da multidão em paz do meu esterco.
A boca da minha alma não tem boca
Nem grita por um fim de mal preciso
A boca é um belo mártir do juízo
A alma é um pedaço de cruz roca.
No fundo desse ser que eu nunca tenho
Respira um dia torto igual verruga
Na dança dos meus meses odiados.
Chorei o Inferno todo num desenho
Da mesma peste cega que comunga
Meus versos como um sangue bem amado.
Nenhum comentário:
Postar um comentário