segunda-feira, 1 de setembro de 2008

VENTRE VIVO


A mãe que me matou é a que mereço
Aquela que caminha nos meus ossos
Brindando um amanhã com meus destroços
É nessa mãe que eu sonho e me pareço.


O ventre de onde vim é um ventre vivo
Um túmulo sem marca nem passado
Eu quis me assentar e estou deitado
Deitado num luar de mim nocivo.


Pareço com alguém: nenhuma marca
Que atire sempre em mim: semente antiga
Que ouça meus invernos ao passarem.


Blasfemo sempre numa lua parca
Ausente de si mesma: mão amiga
Carente dos ouvidos a chorarem.

Um comentário:

Anônimo disse...

Estou sentindo falta de atualizações por aqui.....!